Arquivo mensal: agosto 2010

Oficina de Fotografia artesanal . Câmara Lata

Ministrada por Jones Moreira a oficina, do A Gosto da Fotografia, realizada para os alunos do grupo GIRO, sob a coordenação de Maria Helena Pereira, teve hoje, 20.08.2010 seu encerramento. Veja as imagens.

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A TEMPESTADE DE BÁRBARA . [acervo]

A Gosto da Fotografia – 2006 . Foto Arte-Brasília – 2007

GIOVANA DANTAS

“Apartem também das Igrejas aquellas músicas, onde assim no órgão, como no canto se mistura alguma cousa impura, e lasciva”.

Trecho do documento do Concílio de Trento (1864)

A Festa de Santa Bárbara

No dia quatro de dezembro, na cidade de Salvador, rende-se homenagem a Santa Bárbara.  Nesta data festiva, envolvidos num clima de deslumbramento, presenciamos o coroamento de uma construção coletiva que se desenvolve ao longo do ano. Na verdade, o dia da festa revela o trabalho e a dedicação das pessoas que se empenham para a sua realização.  Todo o resultado dos preparativos, que se desdobram nas igrejas, nos terreiros e nas residências dos devotos, invade a rua e se mostra na produção das roupas vermelhas, nas comidas, nos cânticos, na cenografia dos andores, dos altares das casas e de toda a produção material e imaterial que passa a compor, neste dia, a paisagem do Centro Histórico de Salvador.

Altares 1

Considero a Festa de Santa Bárbara uma das mais expressivas comemorações da cultura popular que integra o calendário festivo da cidade. Falo da riqueza da música, das gestualidades e das formas de sociabilidade que esta festa proporciona. Ao se cultuar Santa Bárbara, também se rende homenagem a Iansã (sincretismo afro-católico). Esta convivência pacífica da fé representa um exemplo de paz para o mundo.

Antonio Risério (Uma História da Cidade da Bahia, 2004) aponta a pré-disposição festiva do baiano ao descrever o comportamento do povo na Cidade da Bahia, no século XVIII, que já evidencia uma “vontade de festa”. A natureza comemorativa da vida baiana nunca se deixou conter dentro dos limites das festas oficiais patrocinadas pelo poder laico ou religioso. Na verdade, as festas oficiais primaram sempre por uma espécie de transbordamento, com a massa da população prolongando a celebração pública organizada pela elite dirigente em espaços alternativos de comemoração em que ela podia se entregar, sem maiores inibições, às manifestações coletivas que continham seu próprio conjunto de falas, de cantos, de danças e de embriaguez. Hoje não poderia ser diferente, pois a natureza festiva da vida baiana continua mantendo suas influências barrocas, de fé e erotismo, evidenciando no seio mestiço da religião o jogo do prazer.

O cortejo de Santa Bárbara sai da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, edificação do século XVII, num clima sagrado, em que o pão e o vinho são bentos juntamente com os acarajés. Após a missa, cuja liturgia é regida ao toque de atabaques, a procissão deixa a igreja, sobe a ladeira do Pelourinho até o Terreiro de Jesus, passa pela Praça Municipal e desce a Ladeira da Praça; faz uma parada no Corpo de Bombeiros, que reverencia Santa Bárbara como padroeira; vai ocupando, no ritmo dos cânticos, a Baixa dos Sapateiros, onde os comerciantes enfeitam suas vitrines com peças de roupas vermelhas e brancas. Passa pelo Mercado de São Miguel e, mais adiante, parte dos devotos vai se aliar às manifestações mundanas do Mercado dos Arcos de Santa Bárbara, enquanto outra parte da procissão retorna à Igreja Rosário dos Pretos.

No mercado, em meio a muito samba, arrocha e cachaça, um lindo altar, que abriga imagens de Iansã e de Santa Bárbara, convoca os fiéis à oração. Logo acima, no primeiro andar, um caruru é servido para quem vier.  Que venham todos!

A Fotografia Híbrida

Caruru de Santa Barbara

Apresento, no A Gosto da Fotografia de 2006, uma série de imagens da Festa de Santa Bárbara. Nestas imagens, os flagrantes da festa sofrem uma pós-produção em que fotografia e pintura se misturam. Os limites e as interações da pintura com a fotografia, dentro de uma perspectiva do hibridismo presente na arte contemporânea, ocupam, cada vez mais, um território de construções intensas. A interface resultante desta aproximação torna-se um campo de experimentações vasto, de limites tênues e de alto potencial construtivo. São várias as maneiras pelas quais se dão estas interpenetrações, que tanto remetem ao século XIX, por conta da natureza pictórica da fotografia deste período, como nos direciona para as atuais experimentações que não abrem mão dos mais inusitados materiais para compor esta interface. Um exemplo desta operação, nas produções contemporâneas, pode ser quase “experimentado” no trabalho de Vik Muniz. Além de materiais inorgânicos retirados da vida cotidiana, ele utiliza matérias comestíveis como açúcar, chocolate, pimenta, para redesenhar a imagem fotografada.

As operações que possibilitam a construção destas imagens podem conter desde a tecnologia digital até processos mais rudimentares como variações da fotografia pinhole (técnica artesanal). Ações pré-fotográficas e pós-fotográficas também participam deste arsenal de procedimentos que distanciam a fotografia da sua função icônica, de registro direto. Aqui, a captura do real é apenas um pretexto para novos desvios que se multiplicam de maneira multidirecional.

Devoção

As fotos apresentadas na exposição A Tempestade de Bárbara, realizada na Casa do Benin, durante o A Gosto da Fotografia (2006), não pretendem documentar fielmente a Festa de Santa Bárbara, mas criar um efeito de distanciamento que nos carrega, a partir da fotografia, para infinitas veredas de possibilidades de reconstrução simbólica deste evento. Qualquer técnica ou linguagem que se mostre híbrida já possui expostas em si as condições de sua construção.

A variedade de materiais e de procedimentos que compõem estas imagens não só representa a metáfora da própria constituição sincrética da festa, mas também se apresenta como uma reelaboração visual difusa, carregada de excessos, que nos remete às oscilações de um mundo flutuante tal qual o mundo barroco. O real está miscigenado com as práticas de representação e seus discursos, e não há como entendê-lo fora de seus dispositivos. A experiência da arte contemporânea se mostra absolutamente impura. O contexto é familiar – a Festa. Mas o deslocamento aplicado à fotografia que registrou cada cena, através da superposição de procedimentos pictóricos e demais operações pós-fotográficas, que misturam pintura, gravura e digitalização à superfície da imagem revelada, vai redirecionar o olhar do espectador. A idéia contida no conjunto de imagens que compõem A Tempestade de Bárbara é de potencializar uma interface experimental entre fotografia e pintura, livre, híbrida, tal qual a Festa de Santa Bárbara.

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Giovana Dantas, artista plástica, explora fotografia, vídeo, objetos, instalações. Trabalha com materiais orgânicos, como couro de porco, retirado da Feira de S. Joaquim, e também materiais do mar, resultado da sua passagem pela Residência Artística, Instituto Sacatar, Ilha de Itaparica. Principais exposições: Imanências do Mar – Museu de Arte Moderna – Salvador-BA (2008); A Tempestade de Bárbara – Teatro Nacional (Foto Arte) – Brasília-DF (2007) e Casa do Benin (A Gosto da Fotografia) – Salvador-BA (2006); Memória da Pele – Caixa Cultural – Brasília-DF (2006); Escarificações – Caixa Cultural – São Paulo-SP (2005); Feira Livre, Instalações Culturais – Caixa Cultural – Salvador-BA (2003); Escarificações – Solar do Barão – Curitiba-PR (2002). Graduada em Artes Visuais e Doutora em Artes Cênicas pela UFBA. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnológica da Bahia.

Gostos e agostos do A Gosto

Alejandra Hernández Muñoz

Professora de Historia da Arte da EBA/UFBA . Publicado em Jornal A Tarde de 14 de agosto de 2010.

“Eu queria ter nascido aqui na Bahia”. Esse é o desejo impossível de Thomaz Farkas que, numa tardinha chuvosa de terça-feira, deixou uma pequena platéia emocionada e de olhos marejados. É uma das melhores declarações de amor a esta terra. E na entrevista em vídeo ainda ele reforça: “Eu queria ser o Batatinha!”. É que no meio da brutalidade dominante e do pragmatismo cotidianos aos quais a Bahia está exposta, pensamentos como esses ressumem a grandeza deste lugar que, paradoxalmente, parece ser um valor para poucos daqui e muitos de fora.

Felizmente, ainda há iniciativas do bem (e baianíssimas!) que jogam luz no mar das trevas e delicadeza no meio das burrices e desmandos que povoam a crônica diária da nossa cidade. Uma dessas iniciativas é o Festival A Gosto da Fotografia que chegou a sua sexta edição motivando entre os freqüentadores aquela expressão recorrente quando encontramos uma criança conhecida que há tempo não víamos: “como você está grande!”… É que o A Gosto, para os íntimos, não apenas cresceu como já tem uma personalidade própria que merece ser destacada em seus méritos e avaliada em suas potencialidades.

Abertura da exposição Thomaz Farkas . MAM

O Festival é realizado desde 2004 pelo Instituto Casa da Photographia de Salvador, sob direção de Marcelo Reis, conquistando parcerias e apoios importantes à cada edição. Começou como homenagem ao Dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto, com duplo objetivo de divulgar a arte fotográfica de autores reconhecidos e iniciantes, e de formar e ampliar o público apreciador da fotografia como estímulo e garantia à sua continua valorização. Desde 2008, graças à parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o projeto conta com a curadoria de Diógenes Moura e vem recebendo a participação crescente de outras instituições e colaboradores. Nesta edição de 2010, o A Gosto é patrocinado pela Oi e a Secretaria de Cultura do Estado, através do programa Fazcultura, contemplado pelo Edital de Apoio a Festivais de Fotografia da FUNARTE e com o apoio cultural da Oi Futuro.

CONTRIBUIÇÕES DO FESTIVAL

Desde a primeira edição, os principais espaços expositivos de Salvador recebem mostras diversas com homenagens, retrospectivas, resgate de trajetórias, recortes temáticos, produções recentes individuais e coletivas. As exposições são acompanhadas de atividades tais como seminários, palestras e debates com fotógrafos e pesquisadores, leituras de portfolios, oficinas e cursos de fotografia, projeções de filmes e mostras audiovisuais. Assim, quem acompanha o projeto ao longo destes sete anos, criou um hábito salutar de apreciação da fotografia a partir do Festival. Mas o que representa o A Gosto além da visibilidade das exposições?

Em primeiro lugar, como reconheceu Milton Guran no sábado passado, o Festival tem a importante tarefa dupla de constituir, na Bahia, um foro de discussão e exposição da fotografia nacional e internacional, e de promover, no Brasil, a divulgação da fotografia baiana. A sua relevância motivou que o A Gosto fosse inserido na Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil, estabelecendo canais de comunicação entre diversas esferas de Governo e os setores de promoção, produção e difusão da fotografia brasileira.

MIlton Guran em intermédiação da Palestra do Prof Rubnes Fernandes Junior no A Gosto da Fotografia

Em segundo lugar, o refinamento das mostras individuais e coletivas do Festival vem consolidando parâmetros de expografia e eixos de debate da cultura visual na Bahia, atingindo elevado patamar de credibilidade e respeitabilidade no meio artístico-cultural local, regional e nacional. Além de consolidar um circuito de referência próprio de exposições, cada edição do A Gosto vem incentivando a configuração de outro circuito paralelo de mostras relacionadas à linguagem fotográfica, ou seja, um corolário do que acontece com as bienais e grandes mostras periódicas de arte. Neste ano, por coincidência fortuita, as aberturas do A Gosto foram precedidas pelo sucesso do Seminário de Cinema e pela retrospectiva de Marc Riboud na Aliança Francesa, reforçando o diálogo entre as linguagens irmãs do cinema e da fotografia.

Em terceiro lugar, a qualidade reflexiva e a proposta educativa do A Gosto tem contribuído à formação de uma sensibilidade artística no público leigo e ao alargamento das referências sobre a arte fotográfica entre os iniciados. As mostras recebem numerosas visitas de escolas de ensino médio porém também são objeto de trabalho e discussão de cursos de artes e fotografia de ensino superior de Salvador. Entretanto, o projeto tem um desdobramento menos visível porém importantíssimo que é o trabalho das oficinas com crianças e adolescentes de comunidades com escasso atendimento cultural-educativo. Em 2004, por exemplo, 20 jovens da comunidade Vila América foram iniciados na arte fotográfica e exploraram a técnica Pinhole graças ao projeto “Um olhar sobre a Vila América”. Em 2006, além de Salvador foi possível ampliar o raio de alcance do A Gosto levando mostras, palestras e oficinas às cidades de Feira de Santana, Cachoeira, São Fêlix e Vitória da Conquista. Em 2008, foram realizadas oficinas em Marotinho e Bom Juá. Em 2009, a Escola Pracatum, no Candeal, concentrou as ações educativas.

NO CENTRO HISTÓRICO

Nesta edição de 2010, o projeto traz sete exposições em cinco espaços diferentes. É significativo que a programação do A Gosto começou no Centro Histórico e na sede da Oi Kabum! Salvador, evidenciando o foco reflexivo e educativo do projeto e seu compromisso com a valorização cultural da cidade. Além da encenação do monólogo “Eu, quem? Um retrato em preto e branco” feito pelo curador Diógenes Moura na abertura, a Oi Kabum! acolhe duas mostras produzidas pelos jovens da escola: “Caymmi na Lata” com imagens de técnicas mistas de Pinhole, grafismo e tipografia, e “Olha aí o Pelô” com recortes e olhares sobre o patrimônio do Centro Histórico de Salvador. Outras atividades educativas para jovens acontecem na Casa-Museu Solar Santo Antônio, com oficinas de Pinhole para estudantes do GiRO – Grupo de Design Social.

Nas redondezas da Oi Kabum!, outras três mostras do Festival se articulam oportunamente com exposições em curso em espaços próximos. A religiosidade e as tradições africanas e brasileiras são o foco dos registros apresentados pelo A Gosto no Centro Cultural Solar Ferrão. A mostra “O lado de lá” traz, por primeira vez a Salvador, o extenso trabalho de Ricardo Teles realizado entre 2005 e 2010 em Angola, Benin e Congo. O conteúdo e poética dessa exposição são reforçados pelo acervo de “Panáfrica”, da Coleção de Arte Africana Cláudio Masella, no andar superior do próprio Solar Ferrão, e com a vizinha “Zeladores de Voduns e outras entidades do Benin e do Maranhão” de Márcio Vasconcelos, na Casa do Benin, a poucos metros dali.

Dois belos exercícios de memória e homenagem são apresentados pelo A Gosto no Museu da Misericórdia. De um lado, um homem, o artista Mário Cravo Neto (1947-2009), é tema dos sete retratos realizados por Sabrina Pestana, em “Sem ponto final”. De outro lado, os edifícios registrados por Ana Lúcia Mariz em “Alma secreta”, parecem ecoar o definhar das antigas construções do Centro Histórico de Salvador. Homens e construções: uma poética da decadência através de imagens captadas em escombros e ruínas de São Paulo e Bahia, verdadeiros memento mori urbanos que parecem lembrar que a duração é um valor relativo e a eternidade apenas uma utopia. Essa poética da ruína, inclusive do descaso, agora social e ambiental, encontra um contraponto interessante nas imagens de Leonardo Braga que compõem “Homogenia” no Palácio Rio Branco.

NO MAM E NO MAB

O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), com apoio do Instituto Moreira Salles, é tomado por uma grande leitura da obra de Thomaz Farkas, precursor da fotografia moderna brasileira e, até o momento, quase um desconhecido do grande público baiano. A exposição de fotografias “Thomaz Farkas – O Tempo Dissolvido”, pensada especialmente para o A Gosto, privilegia cinco núcleos, incluindo-se uma epígrafe sobre a série Salvador. Em paralelo, é apresentado o ciclo de filmes “Thomaz Farkas e a Condição Humana”, conjunto de documentários sobre o povo brasileiro que foram dirigidos, produzidos ou promovidos por Farkas, entre os anos 60 e 70, experiência que ficou conhecida como a Caravana Farkas. A programação no MAM-BA compreende também diversas mesas redondas, workshops e oficinas (mais informações em http://www.mam.ba.gov.br), a exemplo do ciclo de palestras “A Transparência e o Obstáculo” realizado entre 5 e 7 de agosto, com reflexões magistrais de Rosely Nakagawa, Luiz Felipe Pondé e Rubens Fernandes Junior.

Luiz Felipe Pondé em palestra

Outra leitura de obra importante do A Gosto é “O Caleidoscópio e a Câmera”, no Museu de Arte da Bahia (MAB), mostra cuidadosamente elaborada sobre a trajetória de Boris Kossoy, um dos artistas e estudiosos mais renomados da fotografia nacional. Pioneiro do realismo fantástico no Brasil, Kossy passou 20 anos sem expor. O público também teve oportunidade de conversar com o fotógrafo no dia 31 de julho, dentro do programa de palestras e encontros do projeto. A proposta de Kossoy é refletir sobre o processo de construção da imagem. Para isso, próximo do MAB, contribuem outras três exposições em curso: as belas imagens de Madri pelo olhar de Fernando Manso, no Instituto Cervantes; os registros da trajetória de Tuti Minervino de autoria do próprio artista e de Márcio Lima, na Galeria ACBEU; a mostra “O Poder da Linguagem”, na Galeria do ICBA, sobre as formas de comunicação fonética no mundo captadas por fotógrafos de 46 países.

Abertura da exposição Boris Kossoy . MAB

RUMOS FUTUROS

Diante do sucesso e importância do A Gosto, há questões importantes para serem trabalhadas em próximas edições. Em termos de ação regional, é importante ampliar o alcance do A Gosto a outras cidades, como foi iniciado em 2006, principalmente para estimular o intercâmbio regional com profissionais e interessados em fotografia que não podem se deslocar para Salvador. Sobre o resgate da fotografia baiana, mostras como as de Anísio Carvalho (2007) e Voltaire Fraga (2009) são contribuições inestimáveis para a memória da Bahia. Porém, há muito a se fazer em termos de desdobramentos que garantam a divulgação em larga escala desses valores e, principalmente, o incentivo à ações concretas de preservação e acessibilidade ao legado dos artistas. Trajetórias como as de Silvio Robatto e Maria Sampaio, por exemplo, merecem entrar em próximas pautas. Talvez a Casa da Photographia possa promover a constituição de um centro de referência da fotografia baiana ou similar, que concentre acervos de arte fotográfica sobre a Bahia e de fotógrafos baianos. O diálogo com acervos existentes como o Museu Tempostal e coleções fotográficas dispersas em vários centros culturais, talvez seja um primeiro passo. Para tudo isso e outras perspectivas, é fundamental começar por viabilizar apoios e patrocínios do A Gosto de modo que permitam melhorar a pré-produção do Festival e garantir seus desdobramentos após as exposições. Conforme conversa com os organizadores, os gargalos burocráticos e os entraves de liberação de recursos financeiros em tempo hábil comprometem não apenas o cronograma de montagens das exposições como tem inviabilizado o lançamento, por exemplo, de catálogos e registros, que são fundamentais para a construção da memória coletiva e a formação de referências duradouras.

Como disse recentemente Boris Kossoy a este jornal, “a partir da análise de cada imagem, cada um aciona seus repertórios”. A cada edição, o A Gosto fornece um arsenal de novas imagens para ampliar nossos repertórios e estimular nossa percepção da realidade em que vivemos. E ainda tem muito assunto pela frente: ao gosto do A Gosto, da câmara escura a Batatinha!

Thomaz Farkas no A Gosto da Fotografia até 03 de outubro no MAM.BA